Discurso-Ir-Flavio-Graff-GM

Segue a seguir o discurso, por escrito, que o Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja de Santa Catarina, Irmão Flávio Rogério Pereira Graff, realizou durante a Sessão Magna Pública do 50º Encontro do Dia do Maçom, em Blumenau, no dia 20 de agosto.

O áudio deste discurso está incluso na matéria referente a esta Sessão e pode ser conferido clicando aqui.

Mensagem alusiva ao 50° Encontro do Dia do Maçom

Concederam-me 3 minutos para apresentar esta mensagem.

Como, após uma linda e emocionante Sessão como esta?

Irmão Gavioli e todos os nossos Irmãos das Lojas organizadoras deste 50° Encontro do Dia do Maçom, os nossos parabéns! O nosso reconhecimento por tamanha dedicação e comprometimento que não poderia resultar noutra coisa que não o absoluto sucesso que estamos testemunhando.

Aproveito e peço a todos os Irmãos das 17 Lojas dos Orientes de Blumenau, Indaial, Gaspar, Pomerode e Timbó, bem como as cunhadas destas Lojas que, por favor, se coloquem em pé.

Vejamos quem são os grandes responsáveis pela nossa alegria neste fim de semana.

Dediquemos a eles uma efusiva salva de palmas!

Muito obrigado, meus Irmãos e minhas cunhadas. Acompanhamos o grande esmero de cada um dos Irmãos para que tudo saísse na mais perfeita ordem neste Encontro. Esta é a nossa maneira de agradecer-lhes por todo empenho.

Aproveitando esse momento inicial de cumprimentos, queremos igualmente nos congratular com o nosso querido Irmão Wilson Filomeno,

De maneira muito justa aqui reconhecido. Verdadeiro baluarte da nossa instituição, um homem que colocou a Maçonaria acima de todos os seus objetivos de vida e, como bem referenciado no Ritual desta Sessão, ele e a cunhada Marilene são as testemunhas da magnitude destes nossos encontros onde a harmonia e o fortalecimento da nossa família e da nossa instituição se evidenciam sempre.

Muito obrigado, Irmão Filomeno, cunhada Marilene, por tudo que vocês representam para a nossa sublime instituição.

A Sessão de hoje nos deu a noção de como a Maçonaria surgiu a 300 anos, resultando na sua atual estrutura mundial que congrega 190 Potências Regulares, com mais de 36 mil Lojas e 2 milhões de Irmãos.

No nosso Estado, a Grande Loja de Santa Catarina, o Grande Oriente de Santa Catarina e o Grande Oriente do Brasil reúnem 12.490 Irmãos em 406 Lojas.

A Sessão ainda nos trouxe a conhecer alguns ilustres maçons e enalteceu os 50 encontros estaduais que fizemos, a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a “Ordem e Progresso”… estamos precisando, e muito. E o que temos a dizer a todos é… churinga! Churinga!

Palavra estranha para o nosso vocabulário, mas que se traduz numa ferramenta simbólica milenar da cultura aborígene australiana que serve para costurar o tempo, conectando passado e futuro. Churinga!

Para os nossos ancestrais, o mundo natural era previamente definido e cabia aos homens somente desfrutar ou suportar suas benesses ou intempéries. Hoje, ao vivermos na Era dos Humanos – o antropoceno, sabemos que participamos da edificação desse mundo, não só no seu ecossistema, mas em todas as áreas que possamos imaginar.

Ao longo do século passado buscamos miniaturizar os objetos que utilizamos no nosso dia-a-dia, tornando-os multifuncionais (computadores, filmadoras, telefones…). De igual maneira, aceleramos como nunca a produção de conhecimento em todas as áreas do saber, universalizando a educação. Embora ainda sem os índices adequados, a maior parte da humanidade é alfabetizada.

Criamos materiais com propriedades excepcionais… programamos as características de organismos… combinamos corpos, cérebros e sentidos com dispositivos tecnológicos sofisticados, desenvolvemos inteligência artificial, chegamos a outros planetas.

Nossas ações, conquanto insignificantes que muitas vezes pareçam, são capazes de influenciar na mudança do mundo. Reiteradamente fazemos nossas escolhas sobre como queremos viver e isso faz com que cada um de nós determine o seu amanhã. Aqui, conjuntamente, estamos ditando que buscamos e queremos ser felizes!

Churinga!

Enquanto alguns sonham o futuro, nós, maçons, trabalhamos nossa pedra bruta para lhe dar forma com a filosofia de vida que optamos através da Maçonaria. Devemos ter sempre em mente que a filosofia de vida a que nos referimos, não é aquela que induz uma abordagem esotérica, que poderia ser deduzida pela lógica, pela física ou pela metafísica; não, ela é uma filosofia de vida que emana do coração, do exercício do amor, da verdade e da justiça, da prática das virtudes e dos valores que a sublime Ordem nos oferece; é uma filosofia de vida resultante do constante “conhecer-se e aperfeiçoar-se”.

O futuro é incerto, não está pronto nem muito menos acabado.

A cada dia, a cada escolha, a cada sim e a cada não, o sopro do tempo se abre numa ventania de amanhãs. Nossos destinos e nossos desígnios são traçados exclusivamente por nós, como atores deste antropoceno, na construção do porvir.

Somos bilhões de pessoas e ocupamos os lugares mais inóspitos do planeta, consumindo uma quantidade incomensurável de recursos, produzindo uma gigantesca quantidade de lixo, influenciando para que amanhã tenhamos um mundo profundamente modificado pela nossa própria presença.

Para onde iremos? Onde chegaremos?

Não há quem possa afirmar o futuro, mas algumas conclusões podemos inferir: seremos ainda mais numerosos, viveremos por mais tempo, habitaremos menos os campos, ampliaremos nossa capacidade cognoscível e estaremos amplamente interconectados, todavia, é bem provável, estaremos mais egoístas, menos justos, mais desiguais e menos tolerantes. A provocação da Maçonaria será a de continuar idealizando portas e caminhos para transpormos o que somos hoje e o que queremos ser amanhã.

Churinga!

Somos matéria, existência, energia, espírito… Somos feitos dos mesmos elementos que compõem o nosso planeta, moldados por um emaranhado de ritmos e códigos básicos que definem nossas características, capazes de imaginar, criar, combater, temer, crer, amar.

Aludindo a Mário Quintana no seu poema “O Tempo”, temos que a vida é uma tarefa que trazemos para fazer em casa. Quando nos apercebemos… já são 6 horas da tarde; já é sexta-feira; o mês já terminou; o ano já passou; já temos 40, 50, 60 anos e mais; quando nos damos conta, não sabemos por onde andam nossos amigos, nossos Irmãos, perdemos o momento do crescimento dos nossos filhos, não aproveitamos como gostaríamos aqueles encontros, não beijamos e não falamos eu te amo a quem deveríamos fazer sempre; quando nos apercebemos, já é tarde para voltar atrás.

Se nos dessem um dia ou uma única oportunidade, já não veríamos mais o relógio, seguiríamos em frente, seguraríamos sempre a mão da amada, abraçaríamos mais os amigos, rolaríamos no chão com nossos filhos e netos, conheceríamos mais lugares, culturas, pessoas, Irmãos, Lojas… eliminaríamos o depois.

Depois eu marco, depois eu digo, depois eu chamo, depois eu perdoo, depois eu mudo… no depois, a prioridade muda, o cedo se torna tarde, os encontros terminam, o arrependimento chega, o encanto se perde, o amigo vai embora, o Irmão se retira, os filhos crescem, a amada chora, a gente envelhece e a vida, neste plano, se acaba.

O depois, para nós, maçons, não existe. O que vale é o agora. Então, comecemos já. Aproveitemos esta ocasião, esta experiência, este relacionamento, o Irmão que está consigo, a sua amada, a sua Loja, este 50° Encontro do Dia do Maçom.

Utilizemos este momento para dar um forte abraço naquele que está ao seu lado e dizer-lhe: como é bom estar aqui com você!

Então façamos isto, todos, agora. Levantemo-nos e abracemos a pessoa ao nosso lado e transmitamos toda a nossa alegria, o nosso sentimento, a nossa energia dizendo “como é bom estar aqui com você!”

Esta, meus Irmãos, queridas cunhadas e convidados, será a impressão, a tatuagem, a memória que marcará indelevelmente este nosso 50° Encontro do Dia do Maçom, impingindo-lhe todo nosso sentimento de amor, de fraternidade e da família que é a Grande Loja de Santa Catarina.

Que o Grande Arquiteto Deste Universo a todos ilumine e proteja e permita que sempre comemoremos esta célebre data!

Salve o Dia do Maçom!

Irmão Flávio Rogério Pereira Graff
Grão-Mestre da Grande Loja de Santa Catarina